Marília Ruiz, jornalista reconhecidamente competente e com passagens por grandes veículos de comunicação do Brasil. Hoje, defende as cores do canal Bandsports. Uma das primeiras mulheres que quebraram a hegemonia masculina nesse meio segregador e preconceituoso. Fica a admiração.

Esse texto não é um promocional da carreira da nobre companheira de profissão, mas uma crítica a uma opinião expressada por ela na noite desta terça-feira, 31/10. Julguei ser uma assombração halloweenesca, uma travessura, uma traquinagem tuiteira, mas de filme, só a distancia da realidade, vida.

Aos fatos:

Dessa maneira, Marília comentou sobre a remontada absolutamente histórica que o Lanús promoveu pra cima do enorme River Plate. (veja esta peleja em detalhes no texto http://www.linhaesportiva.com.br/lanus-faz-historia-realiza-sonho-e-chega-a-decisao-da-libertadores/) Ana Thaís Matos, jornalista da Rádio Globo e do SporTV, como se pode notar na imagem, endossou essa opinião que vai contra as vertentes que preferem estudar mais sobre esporte e esmiúça-lo em detalhes. Aqui, começo a expor um outro ponto de vista.

Caras colegas de profissão, me permitam:

Analisar é uma das formas mais poderosas e eficazes de entender porquês e evitar percepções casuais, pra não chamar de outra coisa menos elegante. Renato Rodrigues, Bruno Formiga, profissionais que, como eu, preferem estudar. Eles já tem o que você, Marília, diz ser validador: “gente que é capacitada faz tempo”. Eu, por exemplo, você nunca viu e não sabe (obviamente) que percorro os caminhos de graduação para ser como eles e nem por isso, minhas visões táticas sobre futebol são motivo pra depreciação.

Ou como diz Ana Thaís, “Mapas de calor, verticalização, compactação. Detalhe: fui no jogo do Lanus sábado e a bola era quadrada. Tomaram 4 do Huracan. 2 do Abila.”. Sabia, Ana, que aqueles eram os reservas do novo finalista da Libertadores? Será por isso o mau desempenho? Ou será que é mais fácil achar que a bola era quadrada? Os mapas de calor podem te indicar, por exemplo, qual o atleta menos relevante dentro do certame e qual setor do campo esteve menos ativo.

Todos os clubes brasileiros, inclusive os que são donos dos corações de vocês duas, tem setores enormes dedicados a esse trabalho. As emissoras que lhes empregam, também. Os estudantes, para os quais vocês servem de exemplo, são reduto de muitos interessados no mundo das análises de desempenho, das pranchetas, das táticas. O jogo virtual mais jogado do mundo gastou milhões para aperfeiçoar esse aspecto.

Diferente do que aconteceu na noite passada, esse texto não se expõe para depreciar o alheio, mas para defender uma visão. Está feito. Que sirva de exemplo. Que seja um começo melhor para que o futebol, o jornalismo e a vida sejam menos lançados ao vento e as capacitações sejam mais exaltadas.

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