Uma temporada cheia de surpresas, emoções e muitos bons jogos. Assim foi a Premier League 2015/2016. E aqui vamos aos destaques, por ordem de posição na tabela:

Leicester City: Os campeões mais improváveis da história e toda aquela conversa que você já leu (Não leu ou quer ler mais? Leia aqui então:http://www.linhaesportiva.com.br/leicester-city-o-errado-que-deu-certo/). O conto de fadas da temporada, campeões com muita justiça e com um trabalho espetacular de Ranieri. Que não seja algo de uma temporada só.

THE CHAMPIONS. E com muita justiça

THE CHAMPIONS. E com muita justiça

Arsenal: Os caras foram vice-campeões, classificaram mais uma vez para a Champions e…Foi uma temporada decepcionante. Não pela posição no campeonato, mas pela falta de ambição mais uma vez demonstrada pelos comandados de Arsène Wenger. O técnico francês até foi alvo de manifestações de torcedores na arquibancada, insatisfeitos com o desempenho da equipe. É um time muito bom, com futebol por vezes envolvente, mas que no momento decisivo, fica devendo. Uma sina que dura desde os “Invincibles” da temporada 2004/2005. Ao menos deu pra sair do quarto lugar e, mais uma vez, ficar na frente do rival Tottenham.

Arsène Wenger: mais uma temporada de Champions, mais uma temporada de decepções. Será o fim de seu tempo nos Gunners?

Arsène Wenger: mais uma temporada de decepções. Será o fim de seu tempo nos Gunners? Foto: Telegraph

Tottenham: Durante a maior parte do campeonato, apresentou o melhor futebol da Premier League. Mauricio Pocchettino faz um trabalho espetacular, mesclando boas promessas da base dos Spurs com jogadores talentosos e também promissores. Alderweireld, Eriksen, Lamela, Kane, Dele Alli e Mason fizeram ótima temporada e deixaram o Tottenham mais perto do título até do que na época em que a equipe tinha Bale e Modric como comandantes em campo. Inclusive, esta foi a maior pontuação da história dos Spurs: 70. Não deve fazer feio na Champions da temporada que vem. Ainda assim, fez uma reta final irregular e conseguiu a proeza de levar 5 a 1 do rebaixado Newcastle na última rodada e ficar mais uma vez atrás do Arsenal, seu maior rival. Desde 1996 que os Spurs não conseguem ficar na frente dos vizinhos de Londres, fato que desencadeou a criação do “St. Totteringham’s Day”, em que o torcedor do Arsenal celebra o dia em que o lado vermelho confirma sua posição superior na tabela. A desta temporada, parecia praticamente impossível, mas aconteceu. Fica também o desafio para Pocchettino na próxima temporada: acabar com a graça dos rivais.

Alli, Erikse, Kane, Rose. Time jovem do Tottenham fez mais do que o esperado e jogou belo futebol. Só faltou ficar na frente do Arsenal na tabela...

Alli, Eriksen, Kane, Rose. Time jovem do Tottenham fez mais do que o esperado e jogou belo futebol. Só faltou ficar na frente do Arsenal na tabela…  Foto: Getty Images

Manchester City: Uma temporada que se encaminhava para um fim melancólico, ainda terminou bem para os “citizens”. A equipe fez uma Premier League um tanto quanto irregular, perdeu pontos bobos e não conseguiu ficar perto do título, algo que deveria ser obrigação, considerando o investimento feito pelos seus donos e os talentos que o clube possui – e ainda fez as contratações por cifras astronômicas de Sterling e De Bruyne. Mesmo assim, o lado azul de Manchester ainda conquistou a Copa da Liga Inglesa, fez a melhor campanha da história do clube na Champions League, atingindo as semi-finais, e de quebra deixou seu maior rival fora da Champions da temporada que vem. Agora, Pellegrini dá lugar a Guardiola, e o espanhol tem a faca e o queijo nas mãos para fazer um belo trabalho à frente do clube. O futuro é promissor.

City levantando o único troféu conquistado em 2015/2016. Ainda assim, temporada é considerada boa.

City levantando o único troféu conquistado em 2015/2016. Ainda assim, temporada foi considerada boa.

Manchester United: Vergonhosa é a melhor palavra para descrever a temporada e o futebol apresentado pelos Red Devils. Um jogo pouco criativo e derrotas em jogos importantes deixaram Van Gaal constantemente ameaçado no cargo, ainda mais agora com a confirmação da não ida à Champions na temporada que vem. Eliminação na primeira fase da Champions, cair diante do maior rival na Europa League e o quinto lugar na Premier ainda são “fichinha” perto da bola jogada pelo Manchester. Muitas contratações de peso, muito dinheiro gasto, para ter um time que ganhava seus jogos na base da bola aérea procurando a cabeça de Fellaini. Pouco, muito pouco. De bom, apenas a temporada de Martial, grande surpresa após sua contestada contratação, além da descoberta do jovem Rashford, se mostrando um atacante promissor e com faro de gol. Ainda resta a disputa do título da FA Cup contra o Crystal Palace, mas isso não parece salvar a temporada do United, muito menos a popularidade do técnico holandês com os fãs.

Jovem Marcus Rashford é um dos poucos acertos de Van Gaal nesta temporada.

Jovem Marcus Rashford é um dos poucos acertos de Van Gaal nesta temporada.

Southampton: Um belo trabalho de Ronald Koeman. A equipe, famosa por revelar jogadores como Bale e Walcott, já estava estabelecida na Premier League e esperava brigar por competições europeias. Mas o esquadrão comandado por Forster no gol, Wanyama na contenção da defesa e o trio infernal Long, Pellé e Mané fez mais, conquistando a melhor pontuação da história dos Saints e confirmando a equipe do litoral inglês na Europa League.

Long, Mané e Pelle. Trio infernizou defesas adversárias na temporada. Foto: Yahoo

Long, Mané e Pelle. Trio infernizou defesas adversárias na temporada. Foto: Yahoo

West Ham: Grande temporada. Entrou com pretensão de ficar no meio da tabela, mas passou boa parte da competição brigando com os grandes, no topo da tabela. O técnico Slaven Bilic rapidamente caiu nas graças da torcida e fez a equipe jogar bonito em diversos momentos, com destaque para Kouyaté, Sakho, Enner Valencia e, especialmente, Dmitri Payet. O francês recuperou seu grande futebol na Inglaterra e ficou na seleção do campeonato, além de voltar para a seleção francesa e estar convocado para a Eurocopa em seu país. O West Ham vai à Europa League com chances de fazer bom papel, e agora com estádio novo. Os Hammers saem do Boleyn Ground e vão “forever blowing bubbles” (“para sempre soprar bolinhas de sabão”) no estádio Olímpico de Londres na temporada 2016/2017. Uma bela temporada para se despedir de sua lendária casa!

Não tem como fugir disso. Payet: QUE HOMEM!

Payet: QUE HOMEM!  Foto: Esporte Interativo

Liverpool: O oitavo lugar no Campeonato inglês nunca é bom para os Reds. Mas numa temporada de reconstrução e sem grandes contratações após a chegada do técnico Jürgen Klopp, atingir duas finais de Copa e fazer 80 jogos até que é uma marca boa, não? A principal mudança desde a chegada do carismático alemão foi a atitude dentro de campo. Um time que corre mais, marca mais, tem menos medo de adversários grandes e proporciona jogos épicos. Meteu 4 a 1 no City em pleno Etihad, eliminou United, Dortmund e Villarreal na Europa League e voltou a ganhar respeito dos gigantes, algo inimaginável com Brendan Rodgers. Ainda assim, é uma equipe irregular, com muitos altos e baixos dentro da mesma partida. Com a primeira janela de transferências sob o comando de Klopp chegando, um time mais modelado ao estilo do treinador deve ser montado e o futuro do Liverpool parece ser o de voltar aos trilhos da briga por títulos.

Klopp chegou e em menos de um ano, já mudou os reds de patamar.

Klopp chegou e em menos de um ano, já mudou os reds de patamar, com vitórias épicas sobre United, City e especialmente contra seu ex clube, Borussia Dortmund.

Stoke City: O “Stokelona” foi além das expectativas. Jogou um futebol bonito com Mark Hughes, num estilo bem diferente do “joga na área e vê o que acontece”, praticado pelo ex-técnico Tony Pulis. Shaqiri, Arnautovic e Bojan fizeram boas temporadas e ajudaram o Stoke a ser comparado ao Barcelona pela torcida e dar trabalho aos grandes, em diversas partidas. Ótimo nono lugar na tabela.

Chelsea: A surpresa negativa do campeonato. Campeões na temporada passada, iniciaram o campeonato de 15/16 muito mal com José Mourinho. Brigas internas – algumas declaradas, como Mourinho x Eva Carneiro -, um time desajustado em campo e jogadores sem confiança fizeram os Blues flertarem com a zona de rebaixamento. Fàbregas chegou a dizer em entrevista que pensava “não ser possível ter desaprendido a jogar futebol”. O técnico português foi demitido e Guus Hiddink chegou como bombeiro, com contrato até o final da temporada. A equipe melhorou um pouco, mas não passou do meio da tabela no Campeonato, foi eliminado com uma goleada para o Everton na FA Cup e caiu diante do PSG na Champions. Antonio Conte terá muito trabalho para arrumar a equipe e retomar a confiança do lado azul de Londres na temporada que vem, sem competições europeias.

Eden Hazard: de craque do campeonato para um jejum quase interminável de gols. O retrato da melancólica temporada do Chelsea. Foto: The Guardian

Eden Hazard: de craque do campeonato para um jejum quase interminável de gols. O retrato da melancólica temporada do Chelsea. Foto: The Guardian

Everton: Campeonato horrendo. Era uma equipe com potencial para ficar no G-8 e brigar tranquilamente por ligas europeias, mas praticou um futebol pobre, longe das expectativas dos torcedores Toffees. Ao final da temporada, goleadas sofridas para Leicester, Sunderland, além do acachapante 4 a 0 contra o grande rival Liverpool, fizeram Roberto Martinez ser demitido e o Everton ter novas aspirações para a temporada 2016/2017.

Swansea: Sofreu com a ameaça de rebaixamento no início da temporada, demitiu Gary Monk, contratou o italiano Francesco Guidolin e conseguiu o que pretendia desde o início da temporada: sobreviver confortavelmente na Liga. Já está estabilizado na Premier League e pretende se manter com mais facilidade temporada que vem.

Watford: O melhor colocado dos recém-promovidos. O objetivo era claro de se manter na primeira divisão inglesa, e ele foi conquistado. Quique Flores fez sua equipe jogar muito bem em alguns momentos, especialmente na primeira metade da temporada, sonhando com um lugar na Europa. Porém, a equipe não manteve o ritmo e fez o suficiente para conseguir a permanência, com menos sustos que o previsto ainda.

Após ser motivo de chacota no Tottenham, Gomes se recuperou e foi muito importante para a permanência do Watford na PL.

Após ser motivo de chacota no Tottenham, o goleiro Gomes se recuperou e foi muito importante para a permanência do Watford na PL.

West Brom: Tony Pulis de técnico. Uma equipe com McAuley, Johnny Evans e Olsson na zaga. Era óbvio que a pretensão do West Brom era mais uma vez fugir do rebaixamento. Conseguiram, numa boa temporada de Sessègnon, Berahino e, especialmente, do venezuelano Rondon.

Crystal Palace: Mais sofrimento que o necessário para o clube com a torcida mais sul-americana da Premier League. Era uma temporada para se garantir tranquilamente no meio de tabela e brigar por título nas copas, mas o Palace acabou rondando por muito tempo a zona de rebaixamento. Ao menos Bolasie fez mais uma boa temporada e os londrinos ainda tem a chance de um título importantíssimo para eles, com a final da FA Cup chegando. Seria a consolidação da equipe no escalão mais alto do futebol inglês.

Bournemouth: Os Cherries mantiveram a maneira de jogar que encantou a Championship e proporcionaram boas partidas. Mas, como o esperado, sofreram bastante na primeira divisão. É bem verdade que o técnico Eddie Howe ficou praticamente toda a temporada sem o artilheiro Callum Wilson e a grande contratação Gradel também se lesionou, mas o Bournemouth poderia ter ficado na Premier com mais facilidade. Tem um time bem montado, com bons jogadores e um dos “managers” mais promissores da terra da Rainha. Deve ser mais uma figurinha constante no campeonato.

Sunderland: Não consegue fugir da rotina, né? Todo ano tem que brigar contra o rebaixamento. Desta vez se safou com um gosto especial: na penúltima rodada e rebaixando o rival ferrenho, Newcastle, mas entrar toda temporada sofrendo pra não cair, uma hora vai dar errado. É necessário um melhor planejamento, e os Black Cats devem ter isso com o técnico Sam Allardyce. Ponto positivo para as boas temporadas do volante Kirchoff e do veterano atacante Defoe, além da descoberta de Watmore, revelado na base do Sunderland.

Newcastle: Que vexame, magpies, que vexame. O clube começou a temporada pensando em terminar do meio de tabela pra cima, com boas contratações como Wijnaldum, Towsend e Mitrovic, mas nada deu certo. Se ia mal em casa, fora não conseguia nem pontuar. No meio da temporada, o Newcastle já estava no modo desespero, contratando Shelvey do Swansea e trazendo Rafa Benitez para tirá-los do buraco. Não adiantou, mesmo com o time apresentando um futebol melhor do que anteriormente. Os magpies estão na Championship, com um orçamento maior do que quase todos os clubes da metade de baixo da tabela na Premier. Um dos estádios mais bonitos e uma das camisas com mais tradição na Inglaterra, numa tragédia anunciada há muito tempo.

Em algum lugar do mundo, Jonas Gutiérrez sorri. Clube que o abandonou durante a luta contra o câncer está na segunda divisão. Ah, o karma...

Em algum lugar do mundo, Jonas Gutiérrez sorri. Clube que o abandonou durante a luta contra o câncer está na segunda divisão. Ah, o karma…

Norwich: Voltou para a Premier para não ser rebaixado mais uma vez, com uma equipe bem limitada tecnicamente. Tragédia anunciada, e os Canários voltam à Championship. Como gosta de brincar de ioiô esse Norwich…

Aston Villa: A maior decepção do campeonato, conseguindo bater o Chelsea. Uma campanha VERGONHOSA (sim, em caixa alta), mesmo com dinheiro em caixa após a venda de Benteke ao Liverpool. Apanhou de todo mundo e de todos os lados, venceu apenas três de 38 partidas e fez pífios 17 pontos. Campanha pior que essa na era Premier, só me lembro a do Derby County de 07/08, com 11 pontos e apenas uma vitória. O torcedor dos Villains merece muito mais, por toda a tradição e poder de investimento que o clube tem. Aguardemos o futuro agora na Championship.

 

É isso, galera. Mais uma temporada se foi do melhor campeonato do mundo e agora precisamos aguardar três meses para a volta da Premier League. Sdds Campeonato Inglês…saudades.

 

 

 

 

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