Guly do Prado é um dos brasileiros com a carreira mais inusitada no mundo do futebol. Cria da base da Portuguesa Santista, ainda garoto foi descoberto pelo Catania. Chegou até a Fiorentina, mas uma lesão grave fez com que o jogador atuasse mais por empréstimo em clubes menores no país da bota. Mas a glória de Guly mesmo veio no Southampton, onde ficou por quatro anos, virou xodó da torcida e conquistou dois acessos consecutivos, ajudando os Saints a voltarem para a Premier League. Depois de rápida passagem pela MLS, onde jogou no Chicago Fire, Guly voltou ao Brasil para atuar no Ituano e depois no Botafogo de Ribeirão Preto. No ano passado, fez parte do elenco do Luverdense que acabou rebaixado para a Série C. Que montanha russa, né?

Mas além de tudo, Guly é um cara tranquilo e muito gente boa. Segue abaixo a entrevista com ele, em que nossos amigos da nossa página do Facebook também colaboraram com perguntas:

Linha Esportiva – “Primeiro, gostaria de agradecer a disponibilidade, Guly. Você começou a carreira profissional na Portuguesa Santista e logo já foi para a Itália. Como foi essa experiência de ir pra Europa tão jovem e como isso aconteceu tão rápido?”

Guly do Prado – “Foi uma experiência muito boa, mesmo com a vontade grande de ir e ao mesmo tempo de querer ficar. Mas valeu a pena tive muitas conquistas. Então, me descobriram jogando pela portuguesa santista, quando fizemos uma turnê na Itália e foi aí que despertou o interesse do Catania”

Linha – “Na Europa você foi praticamente um rei dos acessos né? Subiu com o Cesena pra Serie A e, principalmente, conquistou acessos consecutivos com o Southampton da League One pra Premier League. A que se deve esse sucesso tão grande nas ligas de acesso?”
Guly – “O Cesena foi umas das melhores coisas que aconteceu comigo na Itália.
Depois das operações no joelho na época da Fiorentina, em que quase parei de jogar futebol 😔 o Cesena foi aonde eu voltei a jogar o futebol de verdade, correr bem, estava bem mais forte. Foi um ano muito positivo, ainda mas com o acesso para série A”

Linha – “Por ter chegado muito cedo na Europa, mais especificamente na Itália, quais foram as maiores dificuldades que você encontrou no começo? Chegou a pensar em voltar pro Brasil? E a mudança pra Inglaterra, foi tranquila ou a adaptação foi difícil?” (pergunta do Bernardo Sales com a equipe Linha Esportiva)
Guly -“É difícil falar, já que cada país tem a sua cultura. Mas o que eu posso falar dos ingleses e do campeonato é que nunca mais vou esquecer o que eu passei por lá!! Foi incrível, uma experiência maravilhosa”

Linha -“Vamos passar agora para as perguntas dos nossos amigos, ok? Essa é do Eduardo Werner: Pelo Southampton você disputou a 3ª, a 2ª e a 1ª divisão inglesa, sempre atraindo bons públicos no St Mary’s Stadium. Pela sua experiência, você acredita que o torcedor inglês é mais apaixonado pelo futebol e pelo seu time do que os brasileiros ou essa comparação é muito difícil de se fazer?”

Guly – “Muita energia positiva e uma torcida apaixonada. Era impressionante, porque tinha muito público desde a terceira divisão até chegar na Premier League. Inesquecível”

Linha – “Pergunta agora do Fábio Fiorini e do Charles Eduardo: A base dos Saints é uma das melhores da Inglaterra, revelando nomes como Walcott, Ox, Bale, agora Ward Prowse.. porque isso acontece? Qual o trabalho da Academy do time pra esse sucesso todo? E porque isso não acontece no Brasil?”
Guly –  “Base muito boa mesmo, devido a uma ótima escola que o time coloca desde os mais novinhos. Não à toa grandes jogadores já saíram de lá, como o Lallana também. Lá ainda tem campeonatos melhores de categorias de base, o sub-23 é muito forte. No Brasil é impossível acontecer isso, pois com 25 anos você é velho e com 16 anos é muito jovem e imaturo. Já na Inglaterra, todos tem oportunidades.”

Linha – Mais uma do Fábio Fiorini mesclada com a resposta da pergunta da Southampton FC Brasil: “O Southampton além de revelar ótimos jogadores, ainda foi um clube de ascenção pra caras como Rickie Lambert, Mané, Pellè, Schniderlin e vários outros. Da pra dizer que o time é uma ótima vitrine pro futebol europeu? O que significou jogar no Southampton pra você?”

Guly – “Sim, fiquei conhecido porque joguei quatro anos no clube, coisa que na Itália nunca iria acontecer. E significou tudo. Devo tudo ao Southampton”

Linha –  “Após se manter na PL e montar uma equipe que conseguiu chegar até a se classificar para a Europa League nas duas últimas temporadas, como vê a força do time na Inglaterra hoje?”

Guly – “O Southampton mudou muito, olhando de fora. Não tem mais amor, hoje é só businnes. No meu tempo tinha paixão pelo o time (os próprios jogadores). Dos torcedores nem comento porque foram os melhores que eu já tive”

Linha –  “Quais eram seus melhores amigos no clube inglês? Ainda mantém contato com algum deles de lá?”

Guly – “Todos 😎” (Nota do Linha: Sim, ele que colocou o emoji rs)

Linha – “Depois de virar essa referência no time inglês, inclusive fazendo 11 gols na campanha do acesso pra primeira divisão, você perdeu um pouco de espaço depois que o time subiu e acabou saindo. A que se deve essa saída? E porque o Chicago Fire foi o escolhido?”

Guly – “O ciclo tinha acabado mesmo, o time passou por muitas mudanças assim que subiu pra primeira divisão. Futebol tem isso também. Não guardo mágoa nenhuma.”

Abaixo o vídeo de despedida que o clube da Inglaterra fez para Guly

 

Linha – “O Matheus Bottura perguntou quais as principais diferenças entre jogar entre um time de menor da expressão da Inglaterra e do Brasil? Além disso, a estrutura de um time como o Southampton pode ser equiparada com qual time da primeira divisão do Brasil?”

Guly – “A estrutura pode sim ser comparada com alguns times grandes no Brasil, o Brasil teve uma evolução muito grande. Mas sobre o aspecto de visão do futebol como um todo, o precisa crescer muito mais.”

Linha – “Parece que na Inglaterra você jogava mais perto do gol, praticamente como um meia e na Luverdense estava jogando praticamente de volante. Essa mudança de posicionamento aconteceu mesmo? Qual o motivo disso ter ocorrido?”

Guly – “Lá eu joguei como meia , centroavante e extremo, que eles chamam de winger. Só não joguei na minha verdadeira posição kkk Hoje tenho jogado de volante e estou muito feliz, me encontro muito bem”

Linha – “Pergunta do Maycon Araújo agora, Guly: Como foi a experiência de morar em Lucas do Rio Verde? Houve uma troca a experiências, você passa para o treinador, diretor e demais do grupo conhecimentos de toda a carreira? Essa bagagem e tudo mais…”
Guly – “Aprendi que o futebol no Brasil é muito difícil. Aqui tem mais exceções do que regras. O time grande é tratado de um jeito, o médio tratado de outro e o pequeno então nem se fala. Por isso que o futebol brasileiro teve uma queda tão enorme. Conseguiram com os grandes fazer um bom trabalho para voltar a ser visto no mundo como antes, mas deixam a desejar com o povo brasileiro. Não se fala mais de futebol, só de dinheiro.”

Linha – “É isso, Guly! Toda a equipe Linha Esportiva agradece mais uma vez. Abraço e sucesso!”
Guly – “Obrigado a vocês pela disposição. Até logo meus amigos!”

 

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